TEX// pqp

Puta que Pariu, olha a lua.

2012

Só com muita falta de vergonha pra tentar tirar foto dessas coisas. Você olha e pá! tá lá a lua amarela e toda bizarra, pela metade, como se alguém tivesse passado estilete no tecido do céu e encaixado uma moeda ou um corte de papel jornal velho resplandecente sei lá.

E cada vez que olha, ela foi um tantinho mais para cima, e aí você olha três quatro vezes de relance, tenta não se desprender da tela do computador mas é difícil; ela é linda linda linda.

Ah, minha janela, sua vista porca só dá em cimento, e mais cimento depois que o vizinho construiu o castelinho modernista dele. Mas por esses recortes repentinos e tensos até que vale a pena. Se eu desligo a luz a lua fica de único chamariz, ficaria, não fosse a bendita maldita mencionada tela.

É praticamente um gomo de limão neon, feito daquela tinta que brilha no escuro. Quanto mais olho mais fica absurdo. Não acredito que isso tava sempre aí, que foi sempre assim.  Não. Agora é certeza. A bichana tá subindo, querendo partir, querendo escapar. Sei dizer por que os cabos e os telhados lá fora são uma bela trama, tenho um grid pseudourbano pra me orientar. O céu também, parece que vai mudando, não sei se clareia ou escurece. Meu olho fala que o tom que tá mudando, que oscila do roxo avermelhado ao azulado por trás do cinza fumaça; (bá, olho que bebe tinta fica uma coisa besta).

Agora já passou dos cabos, vai se esconder atrás da trave da janela. Tá é me tentando a pular fora por ela, encarar o céu de novo. Que lua é essa, parece lua inventada, coisa de descrição de quem nunca viu a coisa; mas será que eu vi? Antes de hoje, antes de agora? E amanhã posso até dizer da bela lua, mas depois só saberei dela enquanto branca e redonda, o céu será azulão para negro e as estrelas pontinhos de novo.

Quer saber, no interior pode ter a via láctea toda, que só na capital para se ter dessas aparições. E ela vai escorregando, vai deixando só as luzes de aviso aos aviões para minha janela, o céu tá esbranquiçado e vem vindo um friozinho e um barulho de avião.

Luz acesa de novo. Acabou o espetáculo. Pois é, nada fica intacto. O recorte e o contraste das sombras parietais lá fora podem ser os mesmos, mas a lua escapuliu pelos meus dedos que nem flexionei pra trazer ela de volta, não que fosse dar certo.

Mas cara! aquele primeiro golpe de olhar foi certeiro. Passando da meia noite e cinquenta e tantos minutos à uma da matina. Foi dos bons. Dos bons.

Ela desaparecida por completo. E eu aqui acordada.