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Haja Fôlego

2012

Haja fôlego, para respirar
que todos os fôlegos não me bastam neste ar quente
quente ar ameaça apodrecer, agarra puxando para fora, desenrola para fora toda coisa minha, me tira o ar
A brisa sufoca antes de entrar,
o abano estica meu sono, que o vento leva
e traz de volta pelo ar
grande massa
se uma única nuvem distendesse por todo si, por toda a pele, penetrando a crosta
Se o ar quente fizesse dilatar
esvaindo seu branco pulmonar (permanente)
fazendo-nos vítimas de um sufoco, perpétuo, recobriria
a cada ponto supérfluo, a cada membrana
e superfície
distendendo seus grãos de umidade,
perdidos, irreconhecíveis!
A superfície se choca e treme, de repente areia!
que a nuvem era feita de ar quente
e essa massa toda me envolve, me prende
um campo expandido,
explodindo em distensão
puxa puxa puxa
toda a tensão! um único plano
toda ela se soma, todas ela
Desfragmenta
Todas as forças que ficam sendo todos os pontos, todos os grãos,
reverberando e girando doidos
Cada cada ar todos os fôlegos
está tão quente
(e nem é verão)