TRAD// A Tirania da Ausência de Estrutura

A Tirania da Ausência de Estrutura

Jo Freeman, 1970-73

Durante os anos em que o movimento de liberação das mulheres tem ganhado forma, um grande ênfase foi dado ao que se chama de grupos sem estrutura, sem liderança, como a principal – senão única – forma do movimento. A fonte dessa ideia era uma reação natural contra a sociedade superestruturada na qual a maioria de nós se encontrava, e o controle inevitável que isso dava a outros sobre nossas vidas, e o contínuo elitismo da Esquerda e de grupos similares dentre aqueles que estavam supostamente combatendo essa superestruturação.

A ideia de “ausência de estrutura”, no entanto, se deslocou de um saudável contraponto àquelas tendências a se tornar uma deusa em seus próprios termos. A ideia é tão pouco examinada quanto o termo é muito utilizado, mas tornou-se uma parte intrínseca e inquestionada da ideologia de liberação das mulheres. Para o desenvolvimento inicial do movimento isso não tinha muita importância. Ele definiu, em um primeiro momento, a conscientização como seu principal objetivo e seu principal método, e o grupo de discussão “sem estrutura” era um meio excelente para esse fim. Sua falta de coesão e informalidade encorajavam participação na discussão, e o ambiente com frequência acolhedor promovia elucidações pessoais. Se nada mais concreto que a compreensão pessoal alguma vez resultou desses grupos, isso não tinha muita importância, porque seu propósito realmente não se estendia além disso.

Os problemas básicos não apareceram até que grupos de discussão individuais exauriram as virtudes da conscientização e decidiram que queriam fazer algo mais específico. Neste ponto eles normalmente atolavam porque a maioria dos grupos estavam indispostos a mudar sua estrutura quando mudavam suas tarefas. As mulheres tinham aceito completamente a ideia de “ausência de estrutura” sem se dar conta das limitações de seus usos. Pessoas tentavam usar o grupo “sem estrutura” e a reunião informal para propósitos para os quais não eram adequados por conta de uma cega crença de que nenhum outro meio poderia ser nada além de opressivo.

Se o movimento quiser crescer além desses estágios elementares de desenvolvimento, ele deverá desenganar-se de alguns de seus preconceitos sobre organização e estrutura. Não há nada de intrinsecamente ruim a respeito de nenhum destes. Eles podem e frequentemente são mal utilizados, mas rejeitá-los de antemão porque são mal utilizados é negar a nós mesmos as ferramentas necessárias para desenvolvimento além. Precisamos entender por que a “ausência de estrutura” não funciona.

Estruturas formais e informais

Contrário ao que gostaríamos de acreditar, não existe algo como um grupo sem estrutura. Qualquer grupo de pessoas de qualquer natureza que se reúne por qualquer período de tempo para qualquer propósito irá inevitavelmente se estruturar de algum modo. A estrutura pode ser flexível; ela pode variar com o tempo; pode distribuir tarefas, poder e recursos de forma igual ou desigual entre os membros do grupo. Mas ela se formará independentemente das habilidades, personalidades, ou intenções das pessoas envolvidas. O fato mesmo de que somos indivíduos, com diferentes talentos, predisposições, e históricos torna isso inevitável. Apenas se nos recusássemos a nos relacionar ou interagir sobre qualquer base que fosse poderíamos nos aproximar da ausência de estrutura – e essa não é a natureza de um grupo humano.

Isso significa que lutar por um grupo sem estrutura é tão útil, e tão enganoso, quanto visar uma reportagem “objetiva”, uma ciência social “sem julgamento de valores” ou uma economia “livre”. Um grupo “laissez-faire” é tão realista quanto uma sociedade “laissez-faire”; a ideia se torna um véu de fumaça para que os fortes ou os sortudos estabeleçam uma hegemonia inquestionada sobre os outros. Essa hegemonia pode estabelecida com tanta facilidade por que a ideia de “ausência de estrutura” não previne a formação de estruturas informais, apenas aquelas formais. De maneira similar, a filosofia “laissez-faire” não preveniu os economicamente poderosos de estabelecer controle sobre salários, preços, e distribuição de bens; apenas preveniu o governo de fazê-lo. Assim, a ausência de estrutura torna-se uma forma de mascarar o poder, e dentro do movimento das mulheres é normalmente defendida com mais vigor por aqueles que são os mais poderosos (estejam eles conscientes de seu poder ou não). Enquanto a estrutura do grupo for informal, as regras sobre como decisões são feitas serão conhecidas apenas por alguns e ciência do poder será limitada àqueles que sabem as regras. Aqueles que não sabem as regras e não são escolhidos para iniciação devem permanecer confusos, ou sofrer de delusões paranoicas de que algo está acontecendo de que não estão exatamente conscientes.

Para que todos tenham a oportunidade de se envolver em um dado grupo e participar de suas atividades, a estrutura deve ser explícita, não implícita. As regras de tomada de decisões devem ser abertas e disponíveis para todos, e isso só pode acontecer se elas forem formalizadas. Isto não significa dizer que a formalização da estrutura de um grupo irá destruir a estrutura informal. Normalmente não destrói. Mas ela dificulta a estrutura informal de ter controle predominante e torna disponível alguns meios de atacá-la se as pessoas envolvidas não forem ao menos responsáveis às necessidades do grupo como um todo. “Ausência de estrutura” é organizacionalmente impossível. Nós não podemos decidir ter um grupo estruturado ou sem estrutura, apenas se teremos ou não um grupo formalmente estruturado. Portanto a expressão não será mais utilizada exceto para referir-se à ideia que representa. O termo Inestruturado se referirá àqueles grupos que não foram deliberadamente estruturados de uma maneira particular. Estruturado se referirá àqueles que o foram. Um grupo Estruturado sempre tem uma estrutura formal, e pode também ter uma estrutura informal, ou encoberta. É esta estrutura informal, particularmente em grupos Inestruturados, que forma a base para elites.

A Natureza do Elitismo

“Elitista” é provavelmente a palavra de que mais se abusa no movimento de liberação das mulheres. É utilizada com tanta frequência, e pelas mesmas razões, que “pinko” era utilizada nos anos cinquenta. É raro seu uso coreto. Dentro do movimento ela se refere comumente a indivíduos, ainda que as atividades e características pessoais daqueles as quais é direcionada possam diferir amplamente: um indivíduo, enquanto indivíduo, nunca pode ser um elitista, porque a única aplicação apropriada do termo “elite” é a grupos. Nenhum indivíduo, independente de quão notória aquela pessoa seja, pode ser uma elite.

Corretamente, uma elite refere-se a um pequeno grupo de pessoas que tem poder sobre um grupo maior do qual fazem parte, normalmente sem responsabilidade direta sobre aquele grupo maior, e com frequência sem seu conhecimento ou consentimento. Uma pessoa torna-se elitista por fazer parte de tal pequeno grupo, ou defender seu domínio, seja essa pessoa bem conhecida ou totalmente desconhecida. Notoriedade não é uma definição de um elitista. Normalmente as elites mais pérfidas são administradas por pessoas totalmente desconhecidas do grande público. Elitistas inteligentes são em geral espertos o suficiente para não se deixarem tornar muito conhecidos; quando se tornam conhecidos, passam a ser vigiados, e a máscara sobre seu poder não está mais alojada com firmeza.

Elites não são conspirações. Muito raramente um pequeno grupo de pessoas se reúne e deliberadamente tenta assumir um grupo maior para seus próprios fins. Elites são nada mais, nada menos, que grupos de amigos que por acaso também participam das mesmas atividades políticas. Provavelmente manteriam sua amizade estando ou não envolvidos em atividades políticas; provavelmente estariam envolvidos em atividades políticas mantendo ou não suas amizades. É a coincidência destes dois fenômenos que cria elites em qualquer grupo e as torna tão difíceis de serem quebradas.

Esses grupos de amizades funcionam como redes de comunicação à parte de quaisquer canais regulares para tal comunicação que possam ter sido estabelecidos por um grupo. Se nenhum canal foi estabelecido, eles funcionam como as únicas redes de comunicação. Por que as pessoas são amigas, porque elas normalmente partilham dos mesmos valores e orientações, porque elas conversam entre si socialmente e se consultam quando decisões em comum têm que ser tomadas, as pessoas que estão envolvidas nessas redes têm mais poder dentro do grupo do que aquelas que não estão. E é raro um grupo que não estabeleça algumas redes informais de comunicação através dos amigos que são feitos ali.

Alguns grupos, dependendo de seu tamanho, podem ter mais do que uma dessas redes informais de comunicação. As redes podem até sobrepor-se. Quando apenas uma dessas redes existe, ela é a elite de um grupo que seria de outra forma Inestruturado, queiram seus participantes ser elitistas ou não. Se ela é a única dessas redes em um grupo Estruturado ela pode ser ou não uma elite dependendo de sua composição e da natureza da estrutura formal. Se existem duas ou mais dessas redes de amigos, elas podem competir pelo poder dentro do grupo, assim formando facções, ou uma delas pode abandonar deliberadamente a competição, deixando a outra como elite. Em um grupo Estruturado, normalmente duas ou mais de tais redes de amizades competem entre si pelo poder formal. Com frequência esta é a situação mais saudável, uma vez que os outros membros estão em posição de arbitrar entre os dois competidores pelo poder, e assim realizar demandas àqueles a quem ofereceram sua fidelidade temporária.

A natureza inevitavelmente elitista e excludente de redes informais de comunicação entre amigos não é nem um fenômeno novo característico do movimento das mulheres, nem um fenômeno novo para mulheres. Tais relações informais tem excluído mulheres de participarem de grupos integrados dos quais eram parte há séculos. Em qualquer profissão ou organização essas redes criaram a mentalidade de “vestiário” e os laços de “velha guarda” que tem efetivamente prevenido mulheres como grupo (bem como alguns homens individualmente) de terem igual acesso às fontes de poder ou recompensa social. Muito da energia de movimentos de mulheres anteriores foi direcionado à formalização das estruturas de tomada de decisões e processos de seleção para que a exclusão das mulheres pudesse ser confrontada diretamente. Como bem sabemos, esses esforços não preveniram as redes informais apenas de homens de discriminarem contra mulheres, mas eles o tornaram mais difícil.

Por que elites são informais não significa que elas sejam invisíveis. Em qualquer encontro de um grupo pequeno, qualquer um com um olho aguçado e um ouvido atento sabe dizer quem está influenciando quem. Os membros de um grupo de amizades terão mais empatia uns com os outros do que com outras pessoas. Eles ouvem mais atentamente, e interrompem menos; eles repetem os pontos uns dos outros e cedem amigavelmente; tendem a ignorar ou confrontar os “de fora” cuja aprovação não é necessária para tomar uma decisão. Mas é necessário aos “de fora” estar em bons termos com os “de dentro”. Claro, as linhas não são tão bem definidas como eu as tracei. Elas são nuances de interação, não roteiros pré-definidos. Mas elas são discerníveis, e elas têm o seu efeito. Uma vez que se conhece quem é importante ser consultado antes que uma decisão seja tomada e a aprovação de quem é garantia de aceitação, então se sabe quem está administrando as coisas.

Já que os grupos do movimento não tomaram decisões concretas sobre quem deve exercer o poder dentro deles, muitos critérios diferentes são usados em todo o país. A maioria dos critérios são em termos de características tradicionalmente femininas. Por exemplo, nos primeiros dias do movimento, casamento normalmente era um pré-requisito para participação na elite informal. Como mulheres tradicionalmente foram ensinadas, mulheres casadas empatizam primariamente umas com as outras, e veem mulheres solteiras como muito ameaçadoras para se ter como amigas próximas. Em muitas cidades, este critério era refinado além para incluir apenas aquelas mulheres casadas com homens da Nova Esquerda. Este padrão tinha mais do que tradição atrás de si, no entanto, porque homens da Nova Esquerda com frequência tinham acesso a recursos necessitados pelo movimento – como listas de endereços, prensas gráficas, contatos, e informação – e as mulheres estavam acostumadas a conseguir o que precisavam através de homens ao invés de independentemente. À medida que o movimento mudou através do tempo, o casamento tornou-se um critério menos universal para participação efetiva, mas toda elite informal estabelece padrões pelos quais apenas mulheres que possuem certas características materiais ou pessoais podem associar-se. Frequentemente eles incluem: origem de classe média (apesar de toda retórica sobre relacionar-se com a classe operária); ser casada; não ser casada mas viver com alguém; ser ou fingir ser lésbica; ter entre 20 e 30 anos; ter formação universitária ou pelo menos ter algum histórico universitário; ser “descolada”; não ser muito “descolada”; seguir certa linha política ou identificação como “radical”; ter filhos ou pelo menos gostar de crianças; não ter filhos; ter certos traços de personalidade “femininos”, como ser “simpática”; se vestir corretamente (seja no estilo tradicional, seja no estilo anti-tradicional); etc. Também há algumas características que quase sempre irão rotular alguém como um “deviante” com quem não se deve relacionar. Elas incluem: ser velha demais; trabalhar em período integral, particularmente quando se estiver ativamente dedicada à uma “carreira”; não ser “simpática”; e ser declaradamente solteira (ou seja, nem ativamente heterossexual nem homossexual).

Outros critérios poderiam ser inclusos, mas todos eles possuem temas em comum. As características pré-requisitos para participar das elites informais do movimento, e portanto para exercer poder, dizem respeito ao histórico, personalidade, ou disponibilidade de tempo. Não incluem competência, dedicação ao feminismo, talentos ou contribuições potenciais ao movimento. Os primeiros são os critérios que normalmente utilizamos para determinar nossos amigos. Os últimos são o que qualquer movimento ou organização tem que utilizar se pretende ser politicamente eficaz.

Os critérios de participação podem diferir de grupo para grupo, mas os meios de se tornar um membro da elite informal quando se atende a esses critérios são praticamente os mesmos. A única diferença principal depende de se alguém está em um grupo desde o início, ou entra depois que já começou. Se estiver envolvido desde o começo é importante ter tantos de seus amigos pessoais quanto possível se juntarem também. Se ninguém conhece ninguém mais muito bem, então deve-se formar amizades deliberadamente com um grupo seleto, e estabelecer os padrões de interação informal cruciais para a criação de uma estrutura informal. Uma vez que os padrões informais estão formados eles agem de modo a se preservar, e uma das táticas de manutenção de maior sucesso é continuamente recrutar novas pessoas que “se encaixam”. Se ingressa em uma elite como essa praticamente da mesma maneira que se juramenta à uma irmandade. Se alguém é percebido como uma adição potencial, é “inundado” pelos membros da estrutura informal e eventualmente ou iniciado ou abandonado. Se a irmandade não é politicamente ciente o suficiente para engajar ativamente neste processo, ele mesmo pode ser iniciado pela pessoa de fora basicamente da mesma maneira que alguém se afilia a qualquer clube privado. Encontre um patrocinador, ou seja, escolha algum membro da elite que pareça ser bem respeitado dentro dela, e ativamente cultive a amizade com aquela pessoa. Eventualmente, é muito provável que ela te traga ao círculo interno.

Todos esses processos demandam tempo. Então quando se trabalha em período integral ou se possui algum grande compromisso similar, é normalmente impossível se juntar simplesmente porque não há horas suficientes disponíveis para ir a todas as reuniões e cultivar as relações pessoais necessárias para ter uma voz na tomada de decisões. Essa é a razão pela qual estruturas formais de tomada de decisões são uma benção para a pessoa sobrecarregada. Ter um processo estabelecido de tomada de decisões garante que até certo ponto todos possam tomar parte dele.

Embora essa dissecação do processo de formação de elites em grupos pequenos tenha sido crítica em perspectiva, ela não é feita com a crença de que essas estruturas informais sejam inevitavelmente ruins – meramente inevitáveis. Todo grupo cria estruturas informais como resultado dos padrões de interação entre os membros do grupo. Tais estruturas informais podem fazer coisas muito úteis. Mas apenas grupos Inestruturados são totalmente governados por elas. Quando elites informais são combinadas com um mito de “ausência de estrutura”, não pode haver tentativas de limitar o uso de poder. Ele se torna caprichoso.

Isto tem duas consequências potencialmente negativas das quais deveríamos estar conscientes. A primeira é que a estrutura informal de tomada de decisões será em muito como a de uma irmandade – uma na qual as pessoas escutam às outas porque gostam delas e não porque elas digam algo de significativo. Enquanto o movimento não fizer coisas significativas isto não tem muita importância. Mas se é para que seu desenvolvimento não seja embargado nesta etapa preliminar, ele deverá alterar essa tendência. A segunda é que estruturas informais não têm obrigação de ser responsáveis pelo grupo como um todo. Seu poder não lhes foi dado; não pode ser revogado. Sua influência não é baseada no que fazem pelo grupo; portanto não podem ser diretamente influenciadas pelo grupo. Isto não necessariamente faz com que as estruturas informais sejam irresponsáveis. Aqueles que estão preocupados com manter sua influência normalmente irão tentar ser responsáveis. O grupo simplesmente não pode compelir tal responsabilidade; ela é dependente dos interesses da elite.

O Sistema de “Estrelas”

A ideia de “ausência de estrutura” criou o sistema de “estrelas”. Vivemos em uma sociedade que espera que grupos políticos tomem decisões e selecionem pessoas que articulem essas decisões para o público em geral. A imprensa e o público não sabem como escutar seriamente mulheres individuais como mulheres; eles querem saber como o grupo se sente. Apenas três técnicas já foram desenvolvidas para estabelecer a opinião massiva de grupos: o voto ou o referendo, o questionário para pesquisa de opinião pública, e a seleção de porta-vozes do grupo em uma reunião apropriada. O movimento de liberação das mulheres não tem usado nenhuma destas para se comunicar com o público. Nem o movimento como um todo, nem os grupos mais multitudinários dentro dele, estabeleceram um meio de explicar sua posição sobre várias questões. Mas o público está condicionado a procurar por porta-vozes.

Embora não tenha escolhido porta-vozes conscientemente, o movimento vomitou muitas mulheres que captaram o olho público por variáveis razões. Essas mulheres não representam algum grupo particular ou opinião estabelecida; elas sabem disso e normalmente o dizem. Mas por que não há porta-vozes oficiais nem qualquer corpo de tomada de decisões que a imprensa possa questionar quando quer saber a posição do movimento sobre dado assunto, essas mulheres são percebidas como as porta-vozes. Assim, quer elas queiram ou não, quer o movimento goste ou não, mulheres de nota pública são colocadas no papel de porta-vozes por omissão.

Essa é uma das principais fontes da ira que é com frequência direcionada às mulheres que são rotuladas “estrelas”. Por que elas não foram selecionadas pelas mulheres no movimento para representar as visões do movimento, elas são ressentidas quando a imprensa presume que elas falam pelo movimento. Mas enquanto o movimento não selecionar suas próprias porta-vozes, tais mulheres serão colocadas neste papel pela imprensa e pelo público, independentemente de seus próprios desejos.

Isto tem várias consequências negativas para ambos o movimento e as mulheres rotuladas “estrelas”. Primeiro, por que o movimento não as colocou no papel de porta-vozes, o movimento não pode removê-las. A imprensa as colocou ali e apenas a imprensa pode escolher não escutar. A imprensa continuará a procurar por “estrelas” como porta-vozes enquanto não possuir alternativas oficiais para buscar declarações autoritativas do movimento. O movimento não terá controle na seleção de seus representantes para o público enquanto acreditar que não deve ter qualquer representante. Segundo, com frequência mulheres postas nessa posição se descobrem sendo viciosamente atacadas por suas irmãs. Isso não realiza nada para o movimento e é dolorosamente destrutivo para os indivíduos envolvidos. Tais ataques apenas resultam em ou a mulher deixar o movimento inteiramente – com frequência alienada amargamente – ou em que ela deixe de se sentir responsável por suas “irmãs”. Ela pode manter alguma lealdade ao movimento, de vaga definição, mas não é mais suscetível a pressões de outras mulheres nele. Não se pode sentir-se responsável pelas pessoas que tem sido fonte de tanta dor sem ser um masoquista, e essas mulheres normalmente são fortes demais para se curvar a esse tipo de pressão pessoal. Assim, o repúdio ao sistema de “estrelas” em voga encoraja precisamente o tipo de falta de responsabilidade individual que o movimento condena. Ao expurgar uma irmã como uma “estrela”, o movimento perde qualquer controle que possa ter tido sobre a pessoa, que então se torna livre para cometer todo tipo de pecados individualistas dos quais foi acusada.

Impotência política

Grupos Inestruturados podem ser muito eficazes em fazer com que as mulheres falem sobre suas vidas; eles não são muito bons para fazerem as coisas acontecer. É quando as pessoas se cansam de “só conversar” e querem fazer algo mais que os grupos atolam, a menos que mudem a natureza de sua operação. Ocasionalmente, a estrutura informal desenvolvida pelo grupo coincide com uma necessidade em aberto que o grupo pode suprir, de modo a criar a aparência de que um grupo Inestruturado “funciona”. Isto é, o grupo fortuitamente desenvolveu precisamente o tipo de estrutura melhor adequada para engajar em um projeto particular.

Enquanto trabalhar neste tipo de grupo é uma experiência muito inebriante, também é muito rara e muito difícil de se replicar. Quase inevitavelmente se encontram quatro condições em um grupo tal;

  1. Ele é orientado por tarefas. Suas funções são muito limitadas e muito específicas, como montar uma conferência ou publicar um jornal. É a tarefa que basicamente estrutura o grupo. A tarefa determina o que precisa ser feito e quando precisa ser feito. Ela provê um guia pelo qual pessoas podem julgar suas ações e fazer planos para atividades futuras.
  2. Ele é relativamente pequeno e homogêneo. Homo-geneidade é necessária para assegurar que participantes tenham uma “linguagem comum” para interação. Pessoas de históricos amplamente diferentes podem trazer riqueza para um grupo de conscientização onde cada um pode aprender com a experiência dos outros, mas uma variedade muito grande dentre membros de um grupo orientado por tarefas significa apenas que eles terão mal-entendidos continuamente. Tal variedade de pessoas interpreta palavras e ações diferentemente. Elas tem expectativas diferentes sobre o comportamento umas das outras e julgam os resultados de acordo com critérios diferentes. Se todos conhecem a todos bem o suficiente para entender as nuâncias, essas divergências podem ser acomodadas. Normalmente, elas apenas levam a confusão e intermináveis horas gastas endireitando conflitos que ninguém imaginou que iriam surgir.
  3. Há uma grau elevado de comunicação. Informação deve ser transmitida para todos, opiniões checadas, trabalho dividido, e participação assegurada nas decisões relevantes. Isto é apenas possível se o grupo é pequeno e as pessoas praticamente vivam juntas para as etapas mais cruciais da tarefa. Desnecessário dizer, o número de interações necessárias para envolver a todos aumenta geometricamente com o número de participantes. Isto inevitavelmente limita participantes do grupo a aproximadamente cinco, ou exclui alguns de algumas das decisões. Grupos de sucesso podem ser tão grandes como 10 ou 15 pessoas, mas apenas quando eles são na verdade compostos por vários subgrupos menores que performam partes específicas da tarefa, e cujos membros sobrepõem-se uns com os outros de modo que conhecimento do que os diferentes subgrupos estão fazendo possa ser partilhado com facilidade.
  4. Há um grau pequeno de especialização de habilidades. Nem todo mundo precisa ser capaz de fazer tudo, mas tudo deve poder ser feito por mais que uma pessoa. Assim ninguém é indispensável. Em certa medida, as pessoas se tornam partes intercambiáveis.

Enquanto essas condições podem ocorrer ao acaso em grupos pequenos, isso não é possível naqueles maiores. Consequentemente, porque o movimento como um todo na maioria das cidades é tão inestruturado quanto grupos individuais de discussão, ele não é muito mais eficaz em tarefas específicas do que os grupos separados. A estrutura informal está raramente junta o suficiente ou em contato o suficiente com as pessoas para ser capaz de operar eficazmente. De modo que o movimento gera muita movimentação e poucos resultados. Infelizmente, as consequências de toda essa movimentação não são tão inócuas quanto as dos resultados, e sua vítima é o movimento em si.

Alguns grupos se configuram como projetos de ação local quando não envolvem muitas pessoas e trabalham em pequena escala. Mas essa forma restringe atividade do movimento ao nível local; não pode ser feita no nível regional ou nacional. Além disso, para funcionarem bem os grupos normalmente devem se reduzir àquele grupo informal de amigos que já estava administrando as coisas em primeiro lugar. Isto exclui muitas mulheres de participarem. Enquanto a única forma para que mulheres participem no movimento for pela filiação a um pequeno grupo, aquelas não gregárias, que não aderem, estão em desvantagem evidente. Enquanto grupos de amizade forem o meio principal de atividade organizacional, o elitismo se torna institucionalizado.

Para aqueles grupos que não conseguem encontrar um projeto local ao qual se dedicar, o mero ato de estar juntos torna-se a razão de estar juntos. Quando um grupo não tem uma tarefa específica (e conscientização é uma tarefa), as pessoas nele voltam suas energias para o controle dos outros no grupo. Isto não é feito tanto por um desejo malicioso de manipular os outros (embora às vezes o seja) quanto pela falta de alguma coisa melhor para fazer com seus talentos. Pessoas capazes com tempo em suas mãos e uma necessidade de justificar sua reunião colocam seus esforços no controle pessoal, e gastam seu tempo criticando as personalidades dos outros membros do grupo. Disputas internas e jogos de poder pessoais governam o dia. Quando um grupo está envolvido numa tarefa, as pessoas aprendem a conviver com os outros como eles são e a desprezar desgostos pessoais em benefício do objetivo maior. Limites são colocados à compulsão de moldar cada pessoa à nossa imagem de como ela deveria ser.

O fim da conscientização deixa as pessoas sem lugar para ir, e a falta de estrutura as deixa sem meios de chegar lá. As mulheres do movimento ou se voltam para si mesmas e suas irmãs ou buscam outras alternativas de ação. Há poucas que estão disponíveis. Algumas mulheres simplesmente fazem “suas próprias coisas”. Isso pode levar a uma grande quantidade de criatividade individual, muita da qual é útil ao movimento, mas não é uma alternativa viável para a maioria das mulheres e certamente não promove um espírito de esforço cooperativo de grupo. Outras mulheres se desprendem inteiramente do movimento porque não querem desenvolver um projeto individual e não encontram meios de descobrir, associar-se ou dar início a projetos de grupo que as interessem.

Muitas se voltam para outras organizações políticas para serem oferecidas o tipo de atividade estruturada e eficaz que não foram capazes de encontrar no movimento das mulheres. Dessa forma, aquelas organizações políticas que veem a liberação das mulheres como apenas uma dentre muitas questões para as quais mulheres devem dedicar seu tempo, consideram o movimento um vasto manancial para o recrutamento de novos membros. Não há necessidade de que essas organizações se “infiltrem” (embora isso não exclua que o façam). O desejo gerado nas mulheres por uma atividade política significativa ao se tornarem parte do movimento de liberação das mulheres é suficiente para deixá-las ansiosas por ingressarem em outras organizações quando o próprio movimento não provê modos de dar vazão para suas novas ideias e energias. Aquelas mulheres que se associam a outras organizações políticas enquanto permanecem no movimento de liberação das mulheres, ou que se associam à liberação das mulheres enquanto permanecem em outras organizações políticas, por sua vez tornam-se a armação para novas estruturas informais. Essas redes de amizades se baseiam mais nas suas políticas não feministas comuns do que nas características discutidas anteriormente, mas operam basicamente da mesma forma. Por que essas mulheres partilham valores, ideias, e orientações políticas comuns, elas também se tornam elites informais, não planejadas, não escolhidas, irresponsáveis – quer elas pretendam sê-lo ou não.

Com frequência essas novas elites informais são percebidas como ameaças pelas velhas elites informais desenvolvidas anteriormente dentro de diferentes grupos do movimento. Esta é uma percepção correta. Tais redes politicamente orientadas raramente estão dispostas a ser meras “irmandades” como eram muitas das antigas, e querem advocar suas ideias políticas bem como feministas. Isto é apenas natural, mas suas implicações para a liberação das mulheres nunca foram adequadamente discutidas. As velhas elites raramente estão dispostas a discutir abertamente tais diferenças de opinião, porque isso envolveria expor a natureza da estrutura informal do grupo.

Muitas dessas elites informais tem se escondido sob a bandeira do “antielitismo” e da “ausência de estrutura”. Para combater efetivamente a competição de outra estrutura informal, elas teriam que tornar-se “públicas”, e essa possibilidade é repleta de implicações perigosas. Assim, para manter seu próprio poder, é mais fácil racionalizar a exclusão dos membros da outra estrutura informal utilizando “comunistas”, “reformistas”, “lésbicas” ou “héteros” como isca. A única outra alternativa é estruturar o grupo formalmente de maneira que o poder original seja institucionalizado. Isso não é sempre possível. Se as elites informais tiverem sido bem estruturadas e tiverem exercido uma boa quantidade de poder no passado, tal tarefa é realizável. Esses grupos têm uma história de serem algum tanto politicamente eficazes no passado, conforme a coesão da estrutura informal provou-se um substituto adequado à uma estrutura formal. Tornar-se Estruturado não altera muito sua operação, apesar de a institucionalização da estrutura de poder criar abertura para sua contestação formal. São aqueles grupos que tem a maior necessidade de estrutura que com frequência são os menos capazes de criá-la. Suas estruturas informais não foram muito bem formadas e adesão à ideologia de “ausência de estrutura” os torna relutantes a mudar de tática. Quanto mais Inestruturado um grupo é, tanto mais é carente em estruturas informais, e quanto mais adere a uma ideologia de “ausência de estrutura”, mais vulnerável está a ser dominado por um grupo de companheiros políticos.

A partir do momento que e o movimento como um todo é tão Inestruturado quanto a maioria de seus grupos constituintes, ele é de maneira similar suscetível à influência indireta. Mas o fenômeno se manifesta diferentemente. Em um nível local a maior parte dos grupos consegue operar autonomamente; mas os únicos grupos que conseguem organizar uma atividade nacional são grupos organizados no nível nacional. Assim, em geral são as organizações feministas Estruturadas que fornecem direcionamento nacional para as atividades feministas, e esse direcionamento é determinado pelas prioridades dessas organizações. Grupos como a National Organization for Women (NOW) e a Women’s Equity Action League (WEAL), e algumas conferências feministas de esquerda simplesmente são as únicas organizações capazes de montar uma campanha nacional. A multitude de grupos Inestruturados de liberação das mulheres pode escolher apoiar ou não apoiar as campanhas nacionais, mas são incapazes de organizar suas próprias. Assim, seus membros se tornam as tropas sob liderança das organizações Estruturadas. Os grupos declaradamente Inestruturados não possuem maneiras de aproveitar os vastos recursos do movimento para sustentar suas prioridades. Eles não têm sequer um meio de decidir o que eles são.

Quanto mais inestruturado um movimento é, menos controle ele tem sobre as direções na qual se desenvolve e sobre as ações políticas na qual se engaja. Isso não significa que suas ideias não se propagam. Dado um certo grau de interesse dos meios de comunicação e condições sociais favoráveis, as ideias ainda serão difundidas amplamente. Mas difusão de ideias não implica que serão implementadas; significa apenas que estão sendo discutidas. Na medida em que possam ser aplicadas individualmente, pode-se atuar sobre elas; na medida em que requerem poder político coordenado para serem implementadas, elas não o serão.

Enquanto o movimento de liberação das mulheres permanecer dedicado a uma forma de organização que enfatiza pequenos e inativos grupos de discussão entre amigos, os piores problemas da Inestruturação não serão sentidos. Mas esse estilo de organização tem seus limites; ele é politicamente ineficiente, excludente, e discriminatório contra aquelas mulheres que não estão ou não podem estar atadas às redes de amizades. Aquelas que não se enquadram no que já existe por conta de classe, raça, ocupação, educação, status de maternidade ou casamento, personalidade, etc., serão inevitavelmente desencorajadas de tentar participar. Aquelas que se encaixam desenvolverão interesses dissimulados em manter as coisas como estão.

Os interesses dissimulados dos grupos informais serão sustentados pelas estruturas informais que existem, e o movimento não terá meios de determinar quem deverá exercer o poder dentro dele. Se o movimento continua deliberadamente a não selecionar quem deverá exercer o poder, ele portanto não abole o poder. Tudo que faz é abdicar do direito de demandar daqueles que exercem poder e influência que sejam responsáveis por isso. Se o movimento continua a manter o poder tão difuso quanto possível porque ele sabe que não pode demandar responsabilidade daqueles que o tem, ele previne qualquer grupo ou pessoa de dominá-lo totalmente. Mas ele simultaneamente assegura que o movimento seja tão ineficaz quanto possível. Algum meio-termo entre a dominação e a ineficácia pode e deve ser encontrado.

Estes problemas estão surgindo agora por que a natureza do movimento está necessariamente mudando. Conscientização como função principal do movimento de liberação das mulheres está se tornando obsoleto. Devido à intensa publicidade da imprensa nos últimos dois anos e aos inúmeros livros e artigos de reconhecimento público que agora circulam, liberação das mulheres se tornou uma expressão familiar. Suas questões são discutidas e grupos de discussão informais são formados por pessoas que não têm conexão explícita com nenhum grupo do movimento. O movimento deve partir para outras tarefas. Ele precisa agora estabelecer suas prioridades, articular suas metas, e perseguir seus objetivos de maneira coordenada. Para fazê-lo ele deve se organizar – nos níveis local, regional e nacional.

Princípios de Estruturação Democrática

Uma vez que o movimento não se prenda tenazmente à ideologia de “ausência de estrutura”, ele estará livre para desenvolver aquelas formas de organização que melhor se adequam ao seu funcionamento saudável. Isto não significa que devemos ir ao outro extremo e imitar cegamente as formas tradicionais de organização. Mas também não devemos cegamente rejeitá-las. Algumas das técnicas tradicionais vão se provar úteis, ainda que imperfeitas; outras nos ajudarão a compreender o que devemos e não devemos fazer para obter certos fins com custos mínimos para os indivíduos no movimento. Em grande parte, nós teremos que experimentar com diferentes formas estruturação e desenvolver uma variedade de técnicas para usar em diferentes situações. O “sistema de sorteio” é uma dessas ideias que emergiu do movimento. Ele não é aplicável a todas situações, mas é útil em algumas. Outras ideias para estruturação são necessárias. Mas antes que possamos proceder com experimentações inteligentes, devemos aceitar a ideia de que não há nada inerentemente ruim a respeito da estrutura em si – apenas seu uso excessivo.

Enquanto engajamos nesse processo de tentativa e erro, existem alguns princípios que podemos ter em mente que são essenciais para a estruturação democrática e que também são politicamente eficazes:

  1. Delegação por meios democráticos de autoridade específica a indivíduos específicos para tarefas específicas. Deixar que pessoas assumam trabalhos ou tarefas por omissão significa que eles não serão feitos de forma confiável. Se as pessoas são selecionadas para realizar uma tarefa, preferencialmente depois de expressarem um interesse ou disposição de fazê-la, elas assumem um compromisso que não pode ser tão facilmente ignorado.
  2. Exigir que todos aqueles a quem autoridade foi delegada sejam responsáveis àqueles que os selecionaram. Essa é a forma pela qual o grupo tem controle sobre as pessoas em posições de autoridade. Indivíduos podem exercer poder, mas é o grupo quem tem a última palavra sobre a forma como o poder é exercido.
  3. Distribuição de autoridade dentre tantas pessoas quanto razoavelmente possível. Isso previne o monopólio de poder e exige daqueles em posições de autoridade que consultem com muitos outros no processo de exercê-lo. Isto também oferece a muitas pessoas a oportunidade de ter responsabilidade por tarefas específicas e assim aprender diferentes habilidades.
  4. Rotação de tarefas entre indivíduos. Responsabilidades que sejam mantidas muito tempo por uma pessoa, formalmente ou informalmente, passam a ser vistas como “propriedade” daquela pessoa e não são facilmente renunciadas ou controladas pelo grupo. Conversamente, se as tarefas são rotacionadas com muita frequência o indivíduo não têm tempo para aprender bem seu trabalho e adquirir o senso de satisfação de um trabalho bem feito.
  5. Alocação de tarefas segundo critérios racionais. Selecionar alguém para uma posição porque ela é querida pelo grupo ou lhe dar trabalho difícil porque não se gosta dela não serve nem ao grupo nem à pessoa a longo prazo. Habilidade, interesse, e responsabilidade têm que ser as maiores preocupações em tal seleção. Deve-se oferecer às pessoas uma oportunidade de aprender habilidades que elas não possuem, mas isso é melhor realizado por alguma espécie de programa de “aprendizado” do que pelo método “ou vai ou quebra”. Ter responsabilidades com que não se pode lidar bem é desmoralizante. Conversamente, ser excluído de fazer aquilo que sabemos fazer bem não encoraja o desenvolvimento de nossas habilidades. Mulheres tem sido punidas por serem competentes através da história humana; o movimento não precisa repetir esse processo.
  6. Difusão de informação para todos com a maior frequência possível. Informação é poder. Acesso à informação aumenta nosso poder. Quando uma rede informal espalha novas ideias e informações dentre si por fora do grupo, ela já está engajada no processo de formação de uma opinião – sem a participação do grupo. Quanto mais se sabe sobre como funcionam as coisas e o que está acontecendo, mais politicamente eficaz se pode ser.
  7. Acesso igualitário a recursos necessários ao grupo. Isto nem sempre é perfeitamente possível, mas deve se lutar por isso. Um membro que mantenha um monopólio sobre um recurso necessário (como uma prensa gráfica de posse de um marido, ou um laboratório fotográfico) pode influenciar indevidamente o uso daquele recurso. Habilidade e informação também são recursos. Habilidades de membros podem se tornar igualmente disponíveis apenas quando os membros estão dispostos a ensinar o que sabem aos outros.

Quando esses princípios são aplicados, eles asseguram que quaisquer estruturas que sejam desenvolvidas por diferentes grupos do movimento serão controladas por e responsáveis ao grupo. O grupo de pessoas em posições de autoridade será difuso, flexível, aberto, e temporário. Eles não estarão em uma posição de fácil institucionalização do seu poder por que as decisões em última instância serão tomadas pelo grupo como um todo. O grupo terá o poder de determinar quem deve exercer a autoridade dentro dele.